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| Yassuiti e Naoti Ono |
Vou publicar aqui no Blog a matéria na integra, com os
devidos créditos a Revista Tatame.
O Judô no Brasil – Os primeiros rivais da
família Gracie - Revista TATAME #180 - Fevereiro 2011
Por Fabio Quio Takao
Fontes: Mestres Stanlei Virgílio, Luís
Tambucci, Oswaldo Carnivalle e Octavio de Almeida.
A história do Judô no Brasil foi escrita à custa de muito sofrimento e esforço de grandes mestres e também de anônimos que não tiveram nenhum tipo de reconhecimento em vida. Graças à obstinação característica do povo japonês, hoje o Judô desenvolvido no Brasil é reconhecido e respeitado mundialmente. Os primeiros imigrantes japoneses encontraram no Brasil uma terra completamente diferente do Japão. O clima, a comida, as roupas e os costumes eram antagônicos à mentalidade japonesa que ainda era calcada no modo de vida quase feudal e com muitas influências da postura Samurai.
Entre esses heróis
desbravadores, dois deles se destacaram na implantação do Judô no Brasil:
Yassuiti Ono e Naoti Ono. Os irmãos Ono formaram um núcleo de Judô na cidade de
São Paulo que foi fundamental para o desenvolvimento e expansão da arte no
Brasil.
Assim como cada país desenvolveu um Judô com
características próprias, no Brasil os grupos pioneiros também acabaram por atuar
de forma relativamente independente do Kodokan e com isso adquiriram
particularidades marcantes. Com o objetivo de difundir o Judô e obter o
reconhecimento olímpico, Jigoro Kano percorreu o mundo e em diversas vezes
encontrou imigrantes japoneses oriundos dos diversos estilos de Jiu-Jitsu
japonês. Na maioria das vezes, ao apresentar os métodos e o nível de
organização do Kodokan, esses professores de jiu-jítsu optavam por adotar a
metodologia de Kano e eram automaticamente aceitos pelo Kodokan e promovidos
conforme sua experiência.
Se por um lado essas adesões contribuíram para a expansão
do Judô, por outro lado criaram algumas diferenças na prática entre o Judô
japonês, europeu, norte americano e sul americano, já que os diversos estilos
de Jiu-jítsu possuíam diferenças entre si. Todo esse panorama fez com que os
professores de Judô que eventualmente atuavam fora do Japão tomassem decisões
próprias e isoladas. Obviamente que as diretrizes principais eram seguidas, mas
algumas orientações, muitas vezes, demoravam anos até chegar aos professores de
países distantes como o Brasil. A academia Ono foi um caso característico dessa
necessidade de independência “forçada”.
A excelência na luta de solo
Para entender a fundo as peculiaridades do Judô dos
irmãos Ono, é preciso falar de Kanemitsu Yaitibe, mestre de Yassuiti Ono.
Kanemitsu nasceu em 30 de março de 1892 em Okayama e é originário do Jiu-Jítsu
Kito Ryu da escola Noda-Ha. Sensei Kanemitsu foi aluno de Jyutaro Kishimoto
(algumas fontes informam que o nome é Taro Shingero Kishimoto), e é provável
que tenha praticado Kito Ryu simultaneamente com o Judô Kodokan, pois possui o
título de Menkyo Kaiden (licença total de ensino), de Kito Ryu.
Kanemitsu tem seu registro no Kodokan em 5 de setembro de
1910, aos 18 anos, e foi promovido ao 9º Dan em 4 de maio de 1948, vindo a
falecer em 25 de dezembro de 1966. Seu dojô chamava-se Guembukan e era situado
em Okayama. Segundo alguns historiadores, apesar de ser ligado ao Kodokan,
Kanemitsu atuava de forma relativamente independente. Sensei Kanemitsu Yaitibe
era um exímio praticante de Ne-Waza (técnicas de solo) e, junto com Tsunetane
Oda, desenvolveu o Sankaku Jime.
O Judô e os desafios de Vale-Tudo
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| Yassuiti Ono |
Yassuiti Ono, irmão mais velho, nasceu em Okayama em 4 de
janeiro de 1910 e começou a praticar Judô com Kanemitsu Yaitibe. Yassuiti
percorria muitos quilômetros de bicicleta para chegar ao dojô e aos 17 anos já
era campeão de sua província. Chegou ao Brasil aos 19 anos já promovido à faixa
preta 3º Dan. Yassuiti, assim como todos imigrantes japoneses, foi atraído pela
forte propaganda feita no Japão para trabalhar no plantio do café no Brasil,
que prometia enriquecimento rápido.
Nos primeiros anos no Brasil, Yassuiti trabalhou em
cidades do interior paulista como Igarapava, Pedreira e Val Paraíso com a
plantação de arroz e só então foram para Lins, interior de São Paulo, onde
trabalharam na lavoura de café. Após três anos, perceberam que aquele regime de
trabalho semi-escravo não iria proporcionar uma vida digna e resolvem sair do
interior para se instalar na capital paulista.
Inicialmente, Yassuiti e o irmão Naoti vendiam hortaliças
para se manter. A rotina consistia em acordar às três horas da madrugada para
comprar verduras no mercado central e às seis horas já percorriam as ruas de
São Paulo com um carrinho de mão para vender. O destino dos irmãos Ono começou
a mudar após Yassuiti vencer seu primeiro desafio contra um lutador americano e
então usar o prêmio para montar uma quitanda na Rua Carneiro Leão, no bairro do
Brás.
Em 1933, seis meses após começarem com a quitanda, os
irmãos Ono montaram seu primeiro dojô no porão e passam a treinar diariamente
após o trabalho. Alguns anos depois, a academia Ono mudaria de endereço
diversas vezes, passando por endereços como Rangel Pestana, Rua XV de Novembro,
Avenida Ipiranga, Avenida Brigadeiro Luiz Antonio, Rua Augusta e a famosa
academia do Edifício Martinelli, no 25º andar no centro de São Paulo.
Em 1934, Yassuiti casou-se com Tomiko, com quem teve
quatro filhos: Luiza, Mario, Akira e Satiko. Já na década de 60, a academia Ono
gozava de tanto prestígio, que nomes famosos da política paulistana como os
irmãos Francisco, Ermelino e Eduardo Matarazzo, Ademar de Barros e Senador Auro
de Moura treinaram sob orientação dos irmãos Ono.
É possível que a lenta aproximação da Academia Ono com os
representantes do Kodokan no Brasil tenha sido ocasionada por vários fatores. A
grande quantidade de alunos da matriz e suas filiais permitiam promover os
campeonatos internos gerando uma autossuficiência competitiva. Inclusive,
durante muito tempo, os alunos eram proibidos de competirem em outras academias
não filiadas aos Ono. Ao contrário da tendência mundial, que caminhava cada vez
para a prática esportiva do Judô, segundo vários alunos mais antigos, os
treinos da Academia Ono tinham muita prática de Ne-Waza (técnicas de solo).
É possível que a postura independente de Yassuiti fosse
influência herdada de Kanemitsu, pois além da prática do Ne-Waza, Yassuiti usou
o termo Jiu-Jítsu até a década de 60, apesar do termo Judô já existir.
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| Diploma do Dojo Ono utilizando a denominação Jiu-Jitsu |
Outro
provável obstáculo na aproximação do Judô Ono com representantes do Kodokan era
o fato dos irmãos Ono aceitarem desafios de Vale-Tudo, que há muito eram
desencorajados pelo Kodokan. Yassuite venceu diversas lutas contra adversários
domo Roberto Ruhman, Torbis (campeão sul-americano de Boxe) e muitos outros
lutadores, inclusive da família Gracie.
Um dos grandes trunfos do Judô Ono era a parceria entre
os irmãos Yassuiti e Naoti. Assim como Carlos e Hélio Gracie, os irmãos Ono
eram inseparáveis e formavam uma dupla coesa e que atraía cada vez mais
praticantes. No Brasil, pela dificuldade de pronunciar o primeiro nome dos
irmãos, a imprensa dos anos 30 e 40 costumava denominar Naoti de “Oninho”.
Nascido em 1º de fevereiro de 1915, cinco anos mais novo que seu irmão, Naoti
possuía uma compleição física menor, mas assim como o irmão, era dono de uma
valentia ímpar.
Em uma de suas raras entrevistas, Naoti conta: “Em
Okayama nós ouvíamos histórias maravilhosas sobre o Brasil. O café era
considerado o ‘Ouro Negro’ e diziam que poderíamos voltar ricos do Brasil”. A
viagem para o Brasil era feita nos famosos “Marus”, navios de imigrantes, e
durava 46 dias. Ainda segundo Naoti: “Era uma viagem exótica para nós e
planejávamos retornar para o Japão em cinco anos como jovens ricos”. Naoti
enfrentou George Gracie duas vezes, além de outros desafios contra lutadores de
Luta Livre, Boxe e Capoeira.
Sensei Naoti se recorda dos tempos que junto com o irmão
vendiam verduras e relata: “Nessa época (1932) ainda não existia capas de
plástico e quase sempre trabalhávamos molhados”. Após anos contribuindo para
estabelecer o nome da Academia Ono, em 1958 Naoti assume a academia da Rua
Princesa Isabel, no bairro do Brooklyn, em São Paulo, onde formou inúmeros
atletas. Naoti faleceu em 15 de março de 2003 e ficou marcado na memória dos
alunos não só pelo Judô que praticou e ensinou, mas como a pessoa amável e que,
quando não estava de quimono, invariavelmente vestia um elegante terno.
Ono x Gracie
Nos anos 40 e 50, Carlos, George e Hélio Gracie
desafiavam todas as modalidades de lutas buscando provar a superioridade do
estilo de Jiu-Jítsu que desenvolveram e que era oriundo do Judô Kodokan
original. Os estilos mais praticados no Brasil da época eram a Capoeira e o
Boxe, que eram facilmente derrotados nos desafios de Vale-Tudo. A Luta Livre
era a única que conseguia fazer frente à família Gracie, mas na maioria das
vezes o máximo que esses lutadores conseguiam eram empatar, graças à diferença
de peso.
Os únicos oponentes que conseguiram derrotar os Gracie
foram os praticantes do Judô Kodokan. Os primeiros adversários que ofereceram
perigo aos Gracie foram os imigrantes japoneses que começavam a chegar e que
praticavam o Jiu-Jítsu japonês de vários estilos, mas, principalmente, o
Jiu-Jítsu de Jigoro Kano, que viria a ser conhecido mais tarde como Judô.
O destino das duas famílias fatalmente se cruzaria, pois
os irmãos Ono também aceitavam desafios de lutadores e valentões em São Paulo.
Foi a partir da década de 40 que Carlos e Hélio Gracie perceberam que o termo
Judô começava a ser adotado, mas acreditavam que o Jiu-Jítsu Gracie não deveria
estar associado às diretrizes vindas do Japão. Conforme o Judô ia ganhando
espaço no Brasil, a oposição de Carlos e Hélio ia se radicalizando. Em uma
polêmica matéria da “Revista do Esporte” de novembro de 1965, Hélio Gracie
declara: “Provem que o Judô é melhor que o Jiu-Jítsu”.
O primeiro grande desafio entre as duas Academias, que
tinham a origem em comum, seria entre os ícones Yassuiti Ono e Hélio Gracie. A
imprensa esportiva da época deu enorme destaque ao evento dando uma conotação
de desafio entre Japão e Brasil. Hélio Gracie, alertado por Gastão Gracie que
já morava em São Paulo, sabia que iria enfrentar o melhor lutador de Judô do
Brasil. Por outro lado, Yassuiti, já conhecia a fama de Hélio e teve como
parceiros de treinamento ninguém menos que Geo Omori e Takeo Yano, ambos
exímios judocas e que já haviam enfrentado os irmãos Carlos e Hélio Gracie.
A luta aconteceu em 1935 no Estádio Brasil, no Rio de
Janeiro. As regras adotadas foram do Jiu-Jítsu e Hélio Gracie receberia 15
contos de réis e Yassuiti Ono 10 contos no caso de vitória. A luta teve cinco
rounds de 20 minutos cada. Ambos lutadores usaram quimono e coincidentemente
tinham o mesmo peso, 65kg. Hélio foi arremessado ao chão 32 vezes no longo dos
100 minutos e, como todos esperavam, Yassuiti foi mais agressivo e por várias
vezes quase conseguiu definir a luta. Apesar de Yassuiti também sofrer alguns
ataques, o resultado foi o empate. As palavrar de Hélio Gracie ao se referir à
Yassuiti Ono após a luta: “… Realmente foi o mais duro adversário que já
encontrei em minha vida…”.
Uma nova luta entre Yassuiti Ono e Hélio Gracie aconteceu
em 1936 e como não havia contagem de pontos, novamente o resultado foi o
empate. Em 1937 Yassuiti enfrentou também George Gracie, irmão mais velho de Hélio
e considerado por muitos como lutador mais experiente que o próprio Hélio.
Yassuiti aplicou diversas quedas no Gracie até que conseguiu ganhar as costas
de George e finalizar a luta aplicando um Hadaka-Jime. Após o empate com Hélio
Gracie e a vitória sobre George Gracie, Yassuiti exigiu uma condição para que
concedesse a revanche para George. O “Gato Ruivo”, como era conhecido George,
teria antes que enfrentar Naoti Ono.
A luta aconteceu no final de 1937. Naoti pesava 55kg e
tinha apenas 22 anos, já George tinha 66kg, 26 anos e muito mais experiência
nos ringues. Confirmando as previsões, Naoti conseguiu derrubar George várias
vezes, mas foi derrotado com um Juji-Gatame (chave de braço). Conforme o
prometido, Yassuiti concedeu a revanche a George e novamente a luta acontece no
Estádio Brasil. Dessa vez, o juiz desclassificou Yassuiti Ono devido a socos
proibidos que Ono aplicou em George. Yassuiti por sua vez, alegou que reagiu a
outras faltas cometidas por George, mas a vitória de George é mantida. Naoti
então pede uma revanche contra George e novamente ambos se enfrentam. George
ganha novamente a luta, mas dessa vez por decisão dos jurados.
A rivalidade da família persistiu até 1951, quando houve
a famosa luta entre Hélio Gracie e Kimura. A delegação de judocas, que contava
com Massahiko Kimura, Kato e Yamagushi, teve todo apoio da academia Ono. Além
das informações dadas pelos irmãos Ono sobre como os irmãos Gracie lutavam, os
lutadores japoneses ficaram hospedados na casa de Yassuiti Ono e treinaram na
academia do Edifício Martinelli.
Os herdeiros do Judô Ono
A Academia Ono chegou a ter mais de 200 filiais
espalhadas por diversos estados do Brasil durante as décadas de 60 e 70. Após a
abertura da academia de Naoti, houve um processo gradual de distanciamento
entre os membros da família. Naoti teve dois filhos que seguiram seus passos no
Judô, Francisco Nobuo e Jarbas Takashi, que além de excelentes atletas foram
professores responsáveis por formar inúmeros faixas-pretas. Flavio Ono, filho
de Nobuo e terceira geração da família, é também faixa preta de Judô. Takashi
Ono manteve seu dojô na Rua Inácio Borba e posteriormente na Rua Bela Vista,
região sul de São Paulo. Atualmente, nenhum dos filhos de Naoti mantém
academias funcionando. Descendem de Yassuiti seu sobrinho Ken Haramatsu e
também os filhos Mário e Akira Ono.
Os alunos formados pela academia Ono que não eram da
família, gradualmente optaram por um trabalho independente e não atuavam mais
como filiais. Além disso, o Judô que teve seu apogeu de popularidade entre as
décadas de 60, 70 e 80, na década de 90 dividia espaço com artes que ganhavam
mais adeptos como Karatê, Tae Kwon Do, Kung Fu e no final da década o Aiki Do e
o próprio Jiu-Jitsu. Esse desmembramento fez com que o nome “Ono”, conseguido
graças a um passado coberto de glórias e pioneirismo, fosse usado como certificação
de garantia de qualidade, mas não suficiente para manter as academias em
funcionamento.
Sem Vale-Tudo, mas com reconhecimento esportivo.
Filho de Yassuiti Ono, Akira foi preparado desde criança
para ser um competidor de Judô esportivo e fez jus ao nome da família se
tornando o primeiro ganhador de medalha de ouro nos V Jogos Pan-Americanos de
Winnipeg, que aconteceu no Canadá em 1967. Antes de Pan-Americano, Akira já
havia sido oito vezes campeão paulista, seis vezes campeão brasileiro, duas
vezes campeão sul-americano e já havia representado o Brasil em dois torneios
mundiais.
Akira, então com 26 anos e com 4º Dan, lutou no peso pena
(até 63kg) em Winnipeg. Sua primeira luta foi contra o argentino Ângelo Carlo
Perez. Akira iniciou aplicando um de-ashi-barai (técnica de projeção que
utiliza os pés), obtendo um Wazari (queda quase perfeita) e na sequência
aplicou um ippon seoi-nage (queda que utiliza o quadril) vencendo a luta. Na
segunda luta, Akira ganhou do americano Larry Fukuhara por decisão dos juízes.
Sua terceira luta foi contra Geraldo Estrada Salgero, da Guatemala, e Akira
venceu por ippon (queda perfeita) através de um Tai-Otoshi em 20 segundos.
Na luta final, Akira teve o maior desafio, pois iria
enfrentar o canadense Patrick Bolger, que além da torcida local, era campeão
amador de Wrestling. Bolger pressionou Akira com contra-ataques e quando a luta
parecia favorável ao canadense, Akira aplica um juji-gatame, obrigando-o a
desistir. O judoca brasileiro de origem japonesa conseguiu a primeira medalha
de ouro para o Brasil naquele Pan-Americano. Ao receber a medalha, Akira Ono se
emociona no pódio e consegue o reconhecimento nacional.
Infelizmente Akira morreu de forma precoce, mas deixou
seu legado não só pelos títulos e alunos que formou como também pelos seus
filhos Alessandro e Cristiane Ono. Morando atualmente na cidade de São José, em
Santa Catarina, Alessandro e Cristiane ensinam Judô na cidade desde 1992 e
mantém uma ação social ensinando crianças carentes da região.
Os últimos praticantes do Judô original
Os irmãos Yassuiti e Naoti Ono foram um dos pilares do
Judô no Brasil numa época que o Kodokan ainda não havia conseguido enviar um
número significativo de representantes da arte. Eventualmente são reverenciados
pela “velha guarda”, mas tem tido pouco reconhecimento das novas gerações. Um
fato que merece destaque é a técnica apurada e completa dos irmãos Ono. A
partir da década de 40, as diretrizes do Kodokan apontavam para o ideal
olímpico e o Judô Kodokan, que originalmente contemplava as técnicas de
projeção e de solo, cada vez mais tinha técnicas de finalizações e de solo
suprimidas pelas regras esportivas.
Possivelmente, graças à independência da academia Ono e
sua origem virem de Kanemitsu Yaitibe, um mestre no Ne-Waza, essa tendência
demorou a influenciar o estilo de Judô dos irmãos Ono. Nos desafios contra Hélio
e George, os irmãos Ono provaram sua superioridade técnica nas projeções de
forma incontestável e nas técnicas de Ne-Waza (solo), também demonstraram um
nível equiparado ao Jiu-Jítsu Gracie. Segundo os alunos mais antigos dos irmãos
Ono, a luta de chão era treinada com o mesmo rigor que as quedas: “Sensei
Yassuiti era muito bom em Ne-Waza e nos fazia praticar muito também”, conta
Luiz Tambucci, aluno de Yassuiti.
Stanlei Virgílio, apesar de não ser aluno dos Ono, teve
oportunidade de presenciar um treino na academia Martinelli, além de alguns
desafios de Yassuiti e Naoti. “Fui ver um treino e me surpreendi com todos
“embolados” no chão, o que não era comum em outros dojôs da época. Os irmãos
Ono aplicavam qualquer técnica que fosse eficiente, eles usavam golpes de Luta
Livre e até de Vale-Tudo”, relatou Stanlei. Outra prova incontestável da
amplitude do Judô Ono é dada através do testemunho de dois mestres do Jiu-Jítsu
Gracie: Oswaldo Carnivalle e o falecido Octavio de Almeida, ambos faixas pretas
formados por George Gracie. Octávio, antes de iniciar no Jiu-Jítsu através de
George, foi um dos primeiros faixas pretas dos irmãos Ono. Carnivalle treinou
com alunos dos Ono e também chegou à faixa preta 3º Dan.
O legado
Além da obra dos irmãos Ono em vida, os alunos formados pela academia Ono foram importantíssimos para disseminar o Judô e dentre os inúmeros formados, é possível destacar o Sensei com maior graduação de Judô na América Latina: o faixa vermelha 9º Dan Luiz Tambucci.Através das técnicas de luta dos irmãos Ono, que empregavam qualquer técnica que fosse eficiente, aprendidas pelo Sr. Paulo Morganti, os estudos e habilidades desenvolvidas pelo Shidoshi Ricardo Morganti, surge o Morganti Ju-Jitsu na década de 90.
Abaixo algumas fotos dos irmãos Ono
Fonte: Federação Paulista de Judô









